Resenha do filme O Caçador de Pipas.Conta uma história onde o protagonista vira antagonista.Apesar de ficcional, o filme nos mostra uma cultura diferente da nossa,onde o respeito e visto de um modo mais lúdico.E a história de Amir e Hassan que envolve,tristeza e alegria a ambos.Hassan para protejer o amigo se envolve em uma violência e seu amigo não o ajuda e paga isso pela vida inteira. Quando Amir vê seu amigo apanhar pelo 20jovens no beco, sente-se ao mesmo tempo culpado e incapaz de fazer algo. A vergonha de si é um dos motivos que o fizera sair correndo e aguardar Hassan no final da rua. Eles saem juntos, e Hassan por ser reservado e leal, volta com a pipa sem nada comentar com Amiarjan. Era de se esperar que Hassan nada fizesse, e que seguramente voltaria com o prêmio de seu amigo. Portanto, como se pode observar em qualquer cena, tanto o plano do conteúdo quanto o da expressão caminham juntos, pois como fora visto são quesitos interdependentes e responsáveis pela constituição do texto. No caso os comportamentos dos dois estão representados no plano da expressão, e o que faz com que eles pensem de maneiras divergentes quanto à questão do comportamento está expresso no plano do conteúdo. Pois se fosse uma situação inversa, seria fato que Hassan faria algo e não apenas observaria o companheiro apanhando.
Depois se cria um clima nada harmônico entre os dois, o que faz com que Amir no dia seguinte pegasse o relógio que ganhara de presente e desse um suposto fim nele – tinha colocado debaixo do travesseiro de seu parceiro... Volta ao escritório do pai e afirma ter visto o relógio roubado no quarto de Hassan. O espectador logo espera que o pai expulse o garoto com o pai de criação, pois de acordo com os princípios do personagem, o roubo é o maior pecado que existe, e todos os outros são derivados. Mas acontece a surpresa, tanto do espectador quanto do próprio Amiarjan... O pai simplesmente perdoa o garotinho. (O motivo fica claro pelo final do filme.)
Entretanto, o perdão não fora motivo suficiente que os fizessem ficar na mesma casa. Seria a última vez que se veriam. Logo a Rússia invade o Afeganistão, Amir e o pai fogem, em condições subumanas. O pai dele deixa um amigo (tido como braço direito) tomando contada casa. Leva consigo um punhado de terra - seria um amuleto que representasse sua origem. Neste momento percebe-se que apesar das circunstâncias, nada o faz abandonar a idéia de que naquele chão há esperança enraizada. Esperança que o levará a pisar em qualquer solo com garra e vontade de regresso à pátria. Observa-se, portanto, nossa capacidade simbólica de reunir a linguagem textual (lembrando que um filme é um tipo de texto) e o campo das idéias.
Amiarjan e seu “Baba” levam uma vida razoável nos EUA. Acaba por se formar na universidade e por seguinte, apaixona-se por uma moça na feira onde trabalha com o pai. Como sempre adora escrever e pretende ser escritor. O tempo passa, casa-se e logo pai fica doente e falece. Logo a primeira cena do filme volta - Amir já adulto conversando com o amigo de seu pai -, a conversa trataria de um retorno ao Afeganistão. Muitas coisas ficaram pendentes por lá.
Chegando lá, fica sabendo que seu melhor amigo (Hassan) morrera em uma invasão dos soviéticos na casa onde moravam e que a esposa dele também tinha morrido. Além de saber que ele era seu irmão. Foi um choque. E as coisas não acabariam por ali, tinha que encontrar o sobrinho levado para o orfanato.
Depois de várias tentativas e com a ajuda de um homem, conseguiu resgatar o menino. Volta aos EUA, e enfrenta o sogro por este ficar com “picuinhas” sobre a origem do garoto. Nota-se que em muitos aspectos Amir não é mais o mesmo. Procura uma postura diferente daquela quando criança.
No final do filme, Amir com o sobrinho e a esposa vão soltar pipa. O rapazinho apresenta-se fechado, mas logo dá um sorriso depois do grito de Amir ao ir pegar a pipa : “por você eu iria mil vezes!” – (A frase célebre de Hassan).E recordamos disso, porque logo no começo um acontecimento que serviu de gatilho para todo o desenrolar da história permaneceu acesso em nossas mentes. Ou seja, trata-se de vários discursos, capazes de modelar todo o contexto do filme. Ocorre do começo ao fim o que chamamos de natureza interdiscursiva da linguagem.
É interessante ressaltar que a interdiscursividade está presente desde o título. A história nos faz crer que somos eternos caçadores de pipas. As pipas seriam nossos princípios e valores que assim como o movimento por vezes circular do brinquedo, assemelha-se com os momentos em que vivemos os quais temos que colocar em prova nossa formação com sujeitos ativos diante de determinada realidade.
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