Amanheceu frio por aqui. Bem outono. E a chuva também começou pela manhã. Não muito forte, não muito fraca. Do tipo que vai longe. A semana promete...
Dia cinza. Dia úmido. Dia feio.
Feio?
Lembrei de um livro que costumava ler para minha filha quando ela era pequena. "Soprinho" é o nome. Conta a história de um menino feito de uma fumaça mágica que leva quatro crianças por uma aventura em um bosque encantado. É dessa forma que a escritora conduz o leitor a olhar a natureza com outros olhos, através de fadas que as crianças vão encontrando pelo caminho.
O dia chuvoso de hoje me fez lembrar justamente de uma das fadas que elas encontram - a Fada da Chuva - e é um trecho desse encontro que coloco aqui:
"- ... É só amanhecer chovendo e começa todo mundo: "Está um dia tão feio!" Ora, isso é uma injustiça. Dia de chuva não é feio, é lindo.
- Lindo? Você não está exagerando: Não vejo nada lindo num dia de chuva.
- É porque você não sabe ver. Feche os olhos e depois olhe para o Bosque com se esta fosse a primeira chuva que você vê na vida...
...Perceberam então que o Bosque estava uma beleza. Tudo ficara prateado. A chuva cerrada era como uma cortina que não parasse de se mexer. E, do outro lado, as árvores e folhagens pareciam de outro mundo...
- ...Não é que dia de chuva é lindo mesmo? Por que nunca percebemos?
- Costume - explicou a Fada. - De tanto ouvirem dizer: "Que dia feio!" quando está chovendo, vocês se habituaram e nem foram examinar para ver se era feio mesmo..."
E eu que, assumidamente adoro os dias nublados tanto quanto os ensolarados, hoje não me sinto muito animada com a umidade que está a reinar. Por aqui vou tentando olhar essa chuva gelada que cai com outros olhos, com os olhos da fada, mas, não sei se é por um certa rabugice que me acompanha desde ontem ou simplesmente mau humor mesmo, estou às turras com a natureza e ainda não consegui me animar com as tais gotas prateadas que caem lá fora e escorrem pela minha janela.
O jeito é esquentar água para um chá e saborea-lo com a Ana Julia se aquecendo ao meu lado.
Quem quiser ler a história de Soprinho para seus filhos, sobrinhos, afilhados - ou para si mesmo, pois confesso que curtia cada momento da leitura - ele foi escrito pela Fernanda Lopes de Almeida, recebeu em 1971 o prêmio Jabuti de melhor livro infantil e teve sua inclusão no acervo permanente da Biblioteca Internacional para a Juventude, de Munique. A criançada vai gostar.
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